Prova Digital válida sem Ata Notarial? Como novas ferramentas digitais estão transformando a produção de provas no Judiciário

A produção de provas digitais deixou de ser exceção e passou a integrar o cotidiano das relações empresariais. Negociações por WhatsApp, confirmações de pagamento por e-mail, contratos ajustados por mensagens privadas em redes sociais, cancelamentos informais, promessas comerciais por meio digital são exemplos comuns. Praticamente toda relação jurídica hoje deixa rastros digitais. O desafio surge quando esses conteúdos precisam ser levados ao Judiciário. Por muitos anos, a forma mais segura de preservar esse tipo de prova foi a lavratura de ata notarial, conforme previsão no artigo 384 do Código de Processo Civil.

Contudo, apesar da segurança jurídica, a ata notarial envolve custos consideráveis, deslocamento ao cartório e certa burocracia, o que nem sempre se mostra proporcional quando se trata de provas simples ou de menor complexidade.

Nos últimos anos, o avanço da tecnologia passou a oferecer alternativas. Surgiram plataformas especializadas na captura técnica de provas digitais, que utilizam certificação digital no padrão ICP-Brasil, carimbo do tempo, registro de hash criptográfico, preservação de metadados e emissão de relatórios técnicos de integridade.

Nesse contexto, diversos serviços digitais especializados na preservação de provas eletrônicas ganharam destaque, como a e-Not Provas, integrada à plataforma do e-Notariado, a Verifact, que emprega tecnologia de blockchain, entre outras soluções disponíveis.

Essas ferramentas permitem registrar conteúdo online de forma técnica e estruturada, gerando documentação acompanhada de certificação digital, carimbo do tempo e registros criptográficos aptos a demonstrar que determinado material existia em data específica e permaneceu íntegro após a captura, reduzindo o risco de questionamentos quanto à sua autenticidade. Elas servem tanto para imagens, texto quanto vídeos.

Na prática, essas ferramentas conferem maior robustez jurídica a prints de WhatsApp, conversas em redes sociais, páginas da internet, e-mails e conteúdos que podem ser apagados ou modificados com facilidade.

Do ponto de vista jurídico, a admissibilidade dessas provas encontra respaldo no próprio Código de Processo Civil, que admite todos os meios legais e moralmente legítimos para demonstração da verdade dos fatos. Além disso, a Medida Provisória nº 2.200-2/2001 reconhece validade jurídica aos documentos eletrônicos assinados digitalmente no âmbito da ICP-Brasil.

O Judiciário, cada vez mais habituado à realidade digital, tem priorizado a análise da integridade, autenticidade e possibilidade de auditoria da prova, e não exclusivamente o meio pelo qual ela foi produzida. Em outras palavras, o que se busca não é apenas a formalidade cartorária, mas a garantia de que o conteúdo não foi adulterado e pode ser tecnicamente verificado.

É importante compreender que as novas ferramentas digitais não se limitam a gerar simples capturas de tela. De modo geral, o procedimento é relativamente simples: o usuário acessa a plataforma, realiza sua identificação eletrônica (normalmente por meio de certificado digital ou outro mecanismo de autenticação válido) e efetua a captura do conteúdo diretamente no ambiente do sistema. A própria plataforma registra automaticamente dados técnicos relevantes, como data e hora da coleta, URL de origem quando aplicável, metadados, além de gerar um código hash que funciona como impressão digital do arquivo. Ao final, é emitido um documento eletrônico assinado digitalmente ou acompanhado de certificação compatível com a ICP-Brasil, permitindo futura verificação de integridade.

O requisito central não é a complexidade do procedimento, mas a preservação técnica da prova. Para que o material tenha maior força probatória, é fundamental que exista registro do momento da coleta, garantia de que o conteúdo não foi alterado após a captura e possibilidade de auditoria por terceiros. Em outras palavras, a tecnologia agrega camadas de segurança que vão além do simples print isolado, justamente para afastar alegações de manipulação ou adulteração.

Isso não significa que a ata notarial tenha perdido relevância. Em demandas complexas, de alto valor econômico ou com forte potencial de controvérsia técnica, a atuação do tabelião continua sendo um instrumento extremamente seguro. A diferença está na proporcionalidade.

Agora, para situações mais simples e recorrentes, especialmente aquelas que exigem rapidez na preservação do conteúdo, as ferramentas de certificação digital podem representar alternativa eficiente, estratégica e economicamente mais viável.

O empresário precisa compreender que, no ambiente digital, a prova pode desaparecer em segundos. Uma mensagem apagada, um perfil excluído ou uma publicação editada podem comprometer significativamente uma futura discussão judicial. Agilidade na preservação do conteúdo pode ser determinante para o êxito da demanda. A transformação digital não alterou apenas a forma como as empresas negociam, mas também a forma como se produz e se protege a prova.

A ata notarial continua sendo um instrumento relevante, mas já não é a única via possível para conferir maior segurança à prova digital. As novas ferramentas tecnológicas ampliam as alternativas disponíveis e permitem que a estratégia jurídica seja construída com mais flexibilidade, adequação e eficiência. Antes de ajuizar uma ação ou estruturar uma defesa, é fundamental avaliar qual o meio mais adequado para preservar o conteúdo digital envolvido.

No cenário atual, compreender os mecanismos técnicos de validação da prova tornou-se tão importante quanto conhecer a legislação aplicável.

Edson Peres Gonçalves Junior

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Edson Peres Gonçalves Junior

Advogado inscrita na OAB/SC nº 71.272

Pós-graduado em Direito Tributário pela Universidade Cândido Mendes (UCAM).

Gabriela Morais

Advogada inscrita na OAB/SC nº 68.212

Pós-graduada em Direito Penal e Criminologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS;

Pós-graduanda em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários – IBET.

Izadora Cristina Diogo Corrêa

Advogada inscrita na OAB/SC nº 73.633

Possui cursos de atualização em Direito Imobiliário pelo Instituto de Direito Real e pelo CERS – Complexo de Ensino Renato Saraiva.

Pós-graduanda em Direito Empresarial e MBA em Direito Corporativo pela Damásio Educacional.

Marina Gonçalves de Oliveira

Sócia | Advogada inscrita na OAB/SC nº 56.749

 

Mestre em Direito Público e Constitucionalismo pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB).

Pós-Graduada em Direito Penal Econômico pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUCMG).

Pós-Graduada em Direito Processual pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUCMG).

Pós-Graduanda em Direito Penal e Criminologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Professora Universitária.

Simone Souza

Gestora financeira, de operações e processos internos

Graduada em Tecnologia em Marketing pela Universidade Cesumar (Unicesumar).

Shirlene Reichert

Sócia | Advogada inscrita na OAB/SC nº 42.720

Pós-graduada em Direito Empresarial e dos Negócios pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI).

Especializada em Gestão Jurídica Aduaneira e Internacional pela Associação Brasileira de Consultoria e Assessoria em Comércio Exterior (ABRACOMEX).

Pós-graduada em Direito da Aduana e do Comércio Exterior pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI).

Pós-graduada em Direito Civil pela LFG.

Larissa Nascimento Vieira

Sócia | Advogada inscrita na OAB/SC nº 59.480

Pós-graduada em Direito e Advocacia Empresarial pela Escola Brasileira de Direito – EBRADI.

Pós-graduada em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Formação – IBF/UniBF.

Nathana Thais da Silva Ricardo

Sócia | Advogada inscrita na OAB/SC nº 55.850

Pós-graduada em Direito Tributário pela Damásio Educacional.

Pós-graduada em Direito Empresarial e dos Negócios pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

Pós-graduada em Direito e Processo do Trabalho pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 12ª Região (AMATRA 12).

Deivid Kistenmacher

Sócio | Advogado inscrito na OAB/SC nº 34.843  

Pós-graduado em Direito Tributário e Planejamento Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET).

Pós-graduado em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) e Instituto de Direito Penal Econômico e Europeu (IDPEE), da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal.

Master of Laws – LL.M. em Direito e Prática Empresarial (CEU Law School) com módulo internacional na University of Delaware-USA.

Membro do Grupo de Estudos Avançados em Contratos, da Fundação Arcadas, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Executive Law Program (CEU Law School) com módulo Internacional na Universidad Navarra-Espanha.

Membro de Conselhos Consultivos e de Administração em Companhias e Sociedades Empresariais.